CONSTELAÇÃO SISTÊMICA FAMILIAR

 É uma terapia breve desenvolvida pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger na década de 80 e apresentada ao mundo na década 90.

Através de vivências em grupo de natureza fenomenológica, ele descobriu a existência de uma CONSCIÊNCIA que atua nos grupos, nas famílias e empresas, a qual denominou CONSCIÊNCIA DE CLÃ. Constatou-se também que esta consciência atua de forma inconsciente nos membros do grupo.

Esta consciência tem a função de ZELAR pelo grupo visando a perpetuação da família de forma saudável e equilibrada. Está a serviço da sobrevivência do grupo inteiro, mesmo que para isso alguns precisem ser sacrificados. Este zelo se manifesta através da observância de três LEIS que operam nos sistemas familiares:

1 . direito de pertencer

2. ordem de chegada (hierarquia)

3. equilíbrio na troca de dar e receber

 

Se alguma dessas Leis forem desrespeitadas o sistema inteiro entra em desarmonia afetando a todos. E porque? Porque é sistêmico. Todos estão interligados e conectados. Essa é outra importante constatação deste trabalho.

A desarmonia ocorre porque a CONSCIÊNCIA DE CLÃ vai tentar restaurar a ordem e equilíbrio de forma arcaica (não perfeita, não adequada), causando sofrimento ao grupo. Um bom exemplo disso ocorre quando o marido é um alcoólatra e a esposa não o respeita como homem. Desta forma, a esposa, temendo que o filho se torne igual ao Pai, veladamente transmite ao filho: “Filho eu não quero que você seja igual ao seu Pai” Ele é um alcólatra e um perdedor na vida”. O fato da mãe não honrar o marido é uma forma de EXCLUSÃO do PAI. Ela impede um contato saudável da alma do filho para com o Pai. As mulheres tem esse poder. Elas tem tanto o poder de gerar um filho como também de CASTRAR/IMPEDIR um vínculo íntimo saudável entre filho e Pai. Assim, como a CONSCIÊNCIA DE CLÃ não permite a exclusão de um dos membros familiares, e também se sobrepõe à consciência da mãe no que ela acha que é certo ou errado – bom ou mal, o resultado é exatamente o oposto do que ela espera. O filho inconscientemente acaba se tornando igual ao Pai. Isso ocorre porque o filho se tornando alcoólatra ou não prosperando na vida é uma forma dele se aproximar do Pai.  Se o filho se torna saudável e próspero, ele inconscientemente estaria se diferenciando do Pai, ou seja, o excluindo. Se tornar igual ao Pai significa inconscientemente “Eu estou ao seu lado Pai –  E sou igual a você”.

 Verificou-se assim, que a consciência de clã se sobrepõe à consciência pessoal e aos nossos julgamentos do que é certo e errado, bom e mal.

 No entanto, existe a possibilidade deste filho ser próspero e saudável. E quando este filho formar sua própria família e ter um filho, a CONSCIÊNCIA DE CLÃ vai “escolher” esse filho – que seria NETO do seu PAI para restaurar a ordem do sistema, reproduzindo inconscientemente o destino do avô, ou seja, se tornando um alcoólatra ou não prosperando na vida. A Constelação Familiar nos mostra que somos afetados psiquicamente pelas gerações anteriores.  É por isso que não devemos ser tratados isoladamente. O terapeuta deve direcionar a atenção ao todo. Curando o Avô se cura o neto automaticamente.

E qual foi a outra grande descoberta deste trabalho? É que através de técnicas vivenciais em grupo ou no atendimento individual com duração de mais ou menos 1 hora, é possível trazer à tona as dinâmicas ocultas da família, identificando assim, as leis que foram desrespeitadas. A partir daí é possível criar uma solução para o aprisionamento e sofrimentos dos membros familiares.  Já numa terapia tradicional isso poderia levar 10 anos.

COMO SE DESENVOLVE A VIVÊNCIA

O cliente coloca a sua questão e o terapeuta colhe informações sobre os acontecimentos mais importantes da vida do cliente, de seus pais e avós. Vale ressaltar que o cliente não precisa revelar segredos de si mesmo e nem dos membros da família. Com base nessas informações o terapeuta pede ao cliente para escolher entre os participantes do grupo, representantes para si mesmo e os principais membros da família, e os posicionada no espaço da sala de acordo com as suas imagens internas. O terapeuta pergunta aos representantes suas sensações corporais, sentimentos e percepções. A partir daí o facilitador, se necessário, altera o posicionamento dos representantes na constelação e pede a eles que digam frases para o fim de buscar uma solução . O passo final é a colocação do cliente no lugar do representante na constelação. Tal procedimento é muito importante, uma vez que o cliente poderá SENTIR com toda a força a dinâmica que trouxe a reconciliação e solução para o seu problema. Nesse momento ele SENTE e NÃO RACIONALIZA a solução. É só assim que verdadeira CURA pode ocorrer.

Isso porque é sabido na psicologia que a tomada de consciência dos conflitos emocionais e neuroses apenas no plano Intelectual não é suficiente para a realização da CURA. As neuroses precisam ser sentidas e exteriorizadas por meio de descarga emocionais para que o processo de CURA se complete.

 

Questões que podem ser trabalhadas

  • Problemas de relacionamento entre os membros da família;
  • Problemas de relacionamento entre casais, namorados e amantes – podem ser trabalhados problemas de relacionamento atual e também conflitos e traumas não resolvidos com os parceiros anteriores;
  • Apego e desavenças com ente querido já falecido, por exemplo: luto ou dor não vividos, culpa reprimida e outros sentimentos que aprisionam;
  • Pessoas rejeitadas ou excluídas da família;
  • Dinâmicas ocultas dos triângulos amorosos, homossexualidade e incesto;
  • Dificuldades para engravidar, adoção e abortos;
  • Distúrbios de comportamentos, tais como: agressividade, culpa, medo, tristeza, ansiedade, depressão e etc.;
  • Transplante de órgãos, consequências psicológicas e espirituais;
  • Dependentes químicos (não podem estar “em surto” ou em abstinência).

 

Perguntas frequentes

Preciso levar minha família inteira?

Não. O trabalho atinge todos os membros da família (vivos e mortos) mesmo eles não estando presentes.

Posso levar minha esposa, marido, namorado ou namorada?

Sim, mas não é necessário.

Qual a idade mínima para participar da vivência?

A idade mínima é de 8 anos, desde que acompanhado dos pais.

A constelação está ligada a alguma religião?

Não. É um trabalho desenvolvido por observação através do método fenomenológico.

Sou psicóloga, posso levar meu paciente para constelar?

Sim, isso é muito normal e bem esclarecedor, tanto para o psicólogo como para o paciente. A constelação é um excelente método para acelerar e clarificar diagnósticos terapêuticos.

Meu filho(a) é dependente químico, ele pode constelar?

Sim, desde ele queira muito, por conta própria e sem a pressão dos pais. E ainda que ele não esteja passando por uma crise profunda e nem em abstinência.